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Se nada der certo,
tenho pra onde ir.
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Não acabou. Inaugurou. Deixar a cidade fez parte do começo de uma viagem que aumentou meu mundo. Ela está em mim, em meus trajetos (meus trejeitos), em minhas mais novas calorias. Trouxe-me neologismos, literais ou não. É como se eu erguesse um cômodo no quintal de minha imaginação. Melhor, é como se eu ganhasse uma casa na árvore e a cedesse à minha mente. Meu ponto de vista foi alçado, encantado. Voltei pra casa e a suspendi a um lugar mais próximo do céu. Meus pensamentos estão condicionados às lembranças desses últimos dias. As pessoas que me vêm à mente; os lugares por onde passo; as coisas que faço: tudo é submetido a algum momento que por lá vivi.
"Lá, onde o sol descansa."
E onde seguiu recluso, sem tempo nem luz pra tanta gente. Fomos recebidos pela chuva, e por seu ombro amigo: o mar. A chuva, rainha vertical. O mar, rei do além-do-que-se-vê. Foram o que são, e trataram nossos sentidos com um imenso azul. A água, a areia, a Adriana, o Antunes*. A arte, ali. A combinação concebida pra ser breve. Restam seus ecos, infinitos. Fui tão disposto a me apaixonar pelo encontro, que acabei me apaixonando. Fiz da oportunidade minha redenção. Voltei a acreditar nas pequenas soluções para os grandes problemas. A acreditar que há literatura para todos eles (não falo de auto-ajuda).
(A vida é incrível! Enquanto espero que a marginal esvazie, escrevo dentro de um shopping center, sentado num lugar quase ermo, e vigiado por manequins que vestem roupas que nunca poderei comprar. O que justifica a digressão, claro, não é isso: é o fato de minha ex-namorada ter passado agorinha por mim, acompanhada, e nem me notar. Foi a primeira vez que a vi em tal situação, e não me importei tanto em ser um elemento de decoração. É...)

O texto será outro. Sou outro. As palavras estão contaminadas, mas é fascinante combater as sensações. Contrapô-las de súbito, quase à revelia, sem aguardar a maré baixar. Eu dizia que há literatura bastante a qualquer angústia. E há mar suficiente para qualquer olhar. Amar. Desamar. Ir ao mar. Secar. Voltar.
A princípio, uma festa literária. Daniel** diz ser mais festa do que literária. Hoje não lhe dou ouvidos. Hoje os críticos são meus inimigos. Hoje quero estar perto de quem achou tudo lindo. Quero ver Chico Buarque passar novamente pela janela de onde eu tomava um açai. Quero pensar outra vez: "de qualquer jeito eu poderei contar vantagem. Se corro e peço uma foto, farei inveja às inúmeras pessoas que gostariam de dividir uma moldura com o cara. Se permaneço estático, e demonstro certa indiferença à presença de meu compositor predileto, fico bem com aqueles que repudiam (hipócritas!) qualquer tipo de tietagem. Os que não admitem a transferência do carinho que temos pelas obras aos seus autores." Às vezes também digo essas bobagens. O Chico passou.
Minha namorada gritou que o amava. Ouvi, meio corno, meio aquiescente, e lamentei não ter me juntado a ela. Por dentro eu esbravejava carinho àquele final de semana, àquele lugar. À parada em São Luiz do Paraitinga, aos amigos crescentes, à lua cheia, às palavras ouvidas, vistas, tateadas. Muito nos valeu a resignação por acampar na chuva. O risco foi ínfimo diante de sua recompensa. Temos mais histórias a contar. Eu reservaria algumas postagens à FLIP, mas não sei no que vai dar. Não consigo me ater a textos temáticos, ordenados. Não agora.
Exalo meu alumbramento. Compartilho a fantasia de ter sido apresentado, de novo, a Manoel de Barros. De ter clichezado: "como vivi tanto tempo ser me dar conta desse sujeito?" São tantos os impulsos escondidos por aí, e é tão bom descobri-los.
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Quero a irregularidade daquelas ruas,
a magia daquelas janelas,
o barulho daquelas águas.
Vou-me embora pra minha pasárgada
Lá sou amigo do mar


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*Adriana Calcanhoto fez o show que eu mais gostaria de ter visto.
Antonio Lobo Antunes foi uma das gratas surpresas que tivemos por lá!
**Daniel Piza, jornalista/escritor fantástico, e que foi meu pirata numa foto papagaiada e mal-sucedida.

















