quarta-feira, 2 de maio de 2007


Domingo




Um dia de domingo qualquer é o que estou sendo. Um domingo daqueles tempos em que eu não tinha ninguém. Domingo a tarde. Sem jogo do São Paulo na tv. Sem futebol com os amigos que não sabem jogar. Só. Com o violão, que geralmente soa baixo e vive com as cordas gastas. Quase isso é o que sou nesse momento. “Nesse momento” não quer dizer “nesses tempos”, mas sim nesse Agora. Isso: agora, 00:36 h do dia 3 de maio. Nunca imaginei me sentir como um domingo, ainda mais nas quintas-feiras que parecem quartas, por eu não ter dormido. Frente a uma total solidão, liguei para Ela, no cruel intuito de acordá-la...mas não tive sucesso. Que minha linda durma bem! Sem nenhuma condição de avaliar a mim mesmo, pergunto por que não consigo me satisfazer com a vida que tenho. Tempos atrás, faltava alguém ao meu lado. Hoje, falta não sei mais o quê. Falta algo que me faça dormir nas horas “certas”,que me carregue à faculdade nos dias em que tenho aula, que me direcione para os livros que preciso ler, não aos que gosto. Que estranho, aliás. Por que leio geralmente o que não gosto? Como eu disse, falta alguma coisa que me torne normal. Sabe essa história de Deus e tal? Pois é, talvez seja melhor acreditar. As pessoas confiam realmente nele. É bem mais fácil aceitar o mundo quando pensamos que ele é manipulado por um ser anônimo, chamado de senhor. Desculpe-me: Senhor, com “s” maiúsculo. Pois bem, histórias! Pior mesmo sou eu! Que fico aqui, no silêncio, com cabelo todo e barba limite, tendo girar o ponteiro do relógio e acabar logo com essa sensação de domingo a tarde. Pensando bem (ou mal?), antes estar domingo do que segunda de manhã. Ou melhor, para mim, que carrego a vergonha de ter abandonado o emprego, tanto faz. Resguardo-me na desculpa: “sou estudante...estudo História e Música...” histórias! Antes fosse isso mesmo. Um tremendo picareta! Duvida? Não, né? rs...sei que não. Ê, domingo tedioso. Sem corrida nem jogo. Me acorde as 7 de amanhã? Sem motivo. Me acorde, assim, do nada. Se, em algum momento, sentir-se só e virar um mero domingo, liga pra mim que eu te entendo (de domingo a ligação é mais barata!)...eu converso com você, ta? 00:57 h.

quinta-feira, 26 de abril de 2007


Em tempos de robô


É nos quinze minutos que enrolo (rolo) na cama depois de ser acordado que descanso mais. Que tento lembrar de meus sonhos. Banho tomado, asseio mal-feito, beijo na vó; saio pra trabalhar. Cartão de ponto, celular, carteira, chave e mp3: estou pronto! De casa ao metrô chego sem perceber...aos tropeços. O inferno! Esse é o transporte na hora em que o relógio marca “trabalho”. Competição! Até para conseguir um lugar melhor na plataforma; ir sentado na viagem, então! Isso vale qualquer esbarrão! Fecham os olhos. Fingem tanto que acabam dormindo de verdade. Linha vermelha atravessada: desço e me dirijo à editora. No caminho, muitas vezes cruzo com um homem de terno. Digo, o mesmo homem, com o mesmo terno. Talvez seja ele a única pessoa em que reparo. Sou o maior exemplo da tal ilha ambulante nesses últimos dias. Posso olhar para qualquer ponto, mas só vejo a mesma coisa. Ouço músicas, mas nem as noto. Passo nove horas em frente ao computador. Na verdade, uma hora eu reservo pra almoçar, bem. Depois faço o mesmo caminho, agora voltando. Na volta não encontro o homem de terno. Chego em casa já um pouco exausto e muitas vezes faço pouca coisa antes de me entregar ao sono. Também ligo o computador e fico mais um pouco de tempo a sua frente, pra falar com minha linda. Esse é meu dia. Bom dia. Bom. Na minha invejável semana, nem sei se o homem de terno tem nome...ele passa. É mais um como eu. Talvez também pense se tenho nome. Aliás, no que será que ele pensa?



Meus olhos doem (31/01/07)